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(Des)Centralização da Inovação

Inovar é preciso. O caminho da inovação deixou de ser um privilégio de grandes corporações com budgets de P&D agressivos para se tornar o centro das estratégias de negócios de qualquer empresa que deseje se posicionar de forma diferenciada no mercado e arregimentar consumidores fiéis, seguidores e fãs de seus produtos e serviços. Mais do que necessidades e desejos, o consumidor aspira por novidade, vive pela renovação e evolução contínua.

Com sua maior presença no cotidiano da gestão das empresas, o ato de inovar perde a aura intocável comumente representada por laboratórios avançados de pesquisa com tecnologias de última geração, repletos de técnicos e especialistas em áreas do conhecimento geralmente intangíveis para a maioria dos seres humanos, tais como nanotecnologia, física aplicada e novos materiais, desenvolvendo protótipos e invenções mirabolantes destinadas a atender às demandas futuras dos mercados.

Ao contrário do senso e imaginação comum, a inovação é tão trivial que permeia naturalmente as atividades de uma empresa. Mais do que desenvolver uma nova idéia ou abordagem única, muitas vezes a inovação está simplesmente em aplicar um modelo existente em um outro setor ou empresa, adaptar uma prática internacional à realidade de um país, alterar um único componente de um produto, abordagem de um serviço, etapa de um processo. Outras vezes, o sucesso da inovação não deriva da idéia em si, mas de sua implementação por caminhos alternativos.

A inovação pode ser também aplicada na forma de se fazer mais com menos recursos, por permitir ganhos de eficiência em processos, quer produtivos, quer administrativos ou financeiros. 

Seja qual for a abordagem, inovar é preciso, o que nos leva a pergunta do como: como uma empresa deve se estruturar para fazer com que a inovação seja parte de seu DNA, disseminada do topo à base da hierarquia?

Antes de qualquer resultado ou proposta de novo produto, é importante entender que a inovação no âmbito corporativo nasce a partir da adoção de um conceito, atributo e valor como parte do mindset da empresa e seus executivos. Inovar, assim como a Sustentabilidade e a Gestão do Relacionamento com Stakeholders, é um novo ponto de vista e forma de realizar determinada atividade com compreensão sistêmica.

Mas como este novo valor se insere na cultura corporativa? No caso da grande maioria das empresas, por estas não contarem com estruturas formais como diretorias ou áreas de inovação, investimentos recorrentes, profissionais destacados e com convocatória, as inovações corporativas costumam surgir derivadas da necessidade ou demanda pontual – ou ainda, não idealmente, da idéia e/ou da cruzada individual de alguém. No fundo, a inovação se apresenta de forma natural e livre como solução criativa, para uma oportunidade tangível e presente.

Tal modalidade de inovação, intrinsecamente considerada como descentralizada - uma vez que não existe, obrigatoriamente, formalização de sua existência - costuma acontecer de forma orgânica e funcional dentro de uma organização, onde executivos articulam as conexões necessárias com seus pares para formarem grupos, comitês e núcleos de inovação voltados ao atendimento de determinada demanda. As características deste processo informal de inovação abrangem desde a abordagem colaborativa (seja do tempo ou recursos compartilhados por parte dos envolvidos) e inclusiva (aberta a novos participantes) até o processo empírico de implantação e mensuração de resultados.

Esta abordagem informal é a semente inicial da inovação, mas não ocorre por iniciativa corporativa top down. Já neste caso, a profissionalização da inovação passa por sua centralização (não da execução, mas de sua governança e gestão), representada pela definição de uma estratégia corporativa de inovação, com objetivos, metas e orçamentos claros, regras de governança e desenho de arquitetura corporativa adequadas e modelos de gestão e acompanhamento de resultados estabelecidos e inseridos nas estruturas de incentivo e remuneração.

A centralização se faz necessária para que a empresa deixe de considerar a inovação como um processo pontual e alternativo quando a situação competitiva já atingiu níveis críticos de riscos e ameaças, em que a atividade core esteja sendo comoditizada e que, portanto, se torna elemento indispensável na formulação de sua estratégia e aspirações de médio e longo prazo. Os ganhos com tal abordagem derivam do envolvimento corporativo e da alta gestão com os focos de inovação, existência de estruturas, agendas, diretrizes formais e geração de bases de conhecimento e inovação replicáveis, além da alocação de recursos disponíveis que viabilizem projetos com maiores níveis de complexidade e resultados potenciais.

Seja qual for o estágio ou origem que a inovação se encontre dentro de uma instituição, compreender sua realidade presente e permitir que esta evolua (seja pelo caminho formal ou informal) é essencial para a competitividade de qualquer empresa... pois, para superar a concorrência e prosperar como organização, inovar é preciso. 

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